sábado, 4 de agosto de 2007

Educação na lama





Nem mesmo quando a atual Escola Pastor José Leôncio se chamava Escola José Rodovalho, em homenagem ao pai do ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Fernando Rodovalho, estava livre dos problemas de infra-estrutura. Quase sete anos se passaram desde a inauguração da referida escola e os problemas de saneamento básico continuam afligindo os mais de um mil alunos da unidade de ensino localizada numa comunidade carente às margens da Lagoa Olho D’áagua em Piedade.
Ruas sem pavimentação, saneamento e lamaçadas castram o direito à cidadania dos jovens estudantes que têm o prazer do aprendizado substituído pela indignação e revolta de terem uma educação literalmente na lama.

Sem a existência de uma rede de saneamento, a água da chuva se acumula nas ruas, misturando-se aos esgotos residenciais e logo em seguida desenbocando na lagoa, como mostram as imagens. Centenas de crianças e adolescentes dos turnos da manhã, tarde e noite, tentam driblar a água contaminada pulando as poças, que se acumulam até mesmo no portão de entrada da escola. Quando as chuvas são intensas, as aulas são suspensas até que a situação volte a ‘uma normalidade’ curiosamente tolerada pela comunidade, que provavelmente se ver impossibilitada de exigir do poder público uma providência ao problema que se arrasta há anos.

Movimento Pró-criança: solideriedade ameaçada

Não muito diferente é a situação dos jovens que frequentam a unidade do Movimento Pró-criança em Piedade. O prédio da instituição que atende à centenas de crianças carentes do municipio encontra-se bem ao lado da Escola Pastor José Leôcio. Lá são ministrados cursos de informática, oficinas de artes entre outras atividades de caráter social.
Se chegar na Escola Pastor José Leôncio já é um desafio, chegar a sede do Movimento Pró-criança é praticamente impossivel no periodo do inverno. A rua, que fica um pouco mais perto da Lagoa Olho D’água, parece mais um rio. As crianças se arriscam pisando na água contaminada e nada é feito pelo poder publico há mais de 7 anos.

Um agravante deixa a situação ainda mais delicada. De acordo com estudos feitos pela UFPE e confirmados pela própria Secretaria de Saúde de Jaboatão, a área localizada às margens da lagoa é um grande e perigoso foco de esquitosomose em virtude da falta de saneamento básico. Todos os dias milhões de litros de água de esgoto contaminado são lançados na lagoa. É possivel ver o caramujo hospedeiro da doença em grande quantidade no local.

Enquanto nada é feito, as crianças continuam sendo contaminadas pela esquitosomose e por outras dezenas de doenças sem que nada seja feito pelo poder público. O Movimento Pró-Criança continua executando as suas atividades quase que impossibilitado pela falta de infra-estrutura do local, situação que impede o atendimanto de um numero maior de crianças, que poderiam ter uma oportunidade de sair das ruas e ter futuro mais promissor, longe da marginalização social que hoje são obrigados a conviver diariamente, incluindo a marginalização social promovida pela omissão da própria prefeitura de Jaboatão que nada faz para melhorar a infra-estrutura do local.